Companhia de Caçadores 2759

Res Non Verba

Origem: Diário de Notícias da Madeira - Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

Texto: Sílvia Ornelas

Soldado transladado sem conhecimento da família

Mário Andrade foi sepultado em Lisboa.

 A família pensava que estava em Moçambique

O militar de Machico foi uma das primeiras vítimas da Companhia de Caçadores 2759. FOTO ARQUIVO

Durante anos, Lurdes Andrade e as irmãs alimentaram a esperança de recuperar os restos mortais do irmão, Mário Celestino Andrade, falecido na guerra do Ultramar. Uma intenção da qual já demos conta numa reportagem efectuada para a revista MAIS, no dia 28 de Novembro de 2010.

O soldado de Machico foi uma das vítimas de uma emboscada, na região de Furancungo, cerca de sete meses depois da Companhia de Caçadores 2759, maioritariamente constituída por madeirenses, ter embarcado para Moçambique.

Lurdes Andrade sempre julgou que o corpo de Mário Celestino estaria sepultado em Moçambique, tendo recentemente a Companhia, através de José Gouveia, desenvolvido esforços para recuperar os restos mortais.

Foi nessas diligências que descobriu a triste realidade para os familiares que acalentavam o sonho de dar uma sepultura digna ao soldado. É que, afinal, os restos mortais foram transladados para Portugal, mais concretamente para o Cemitério da Ajuda, em Lisboa, a 13 de Julho de 1971, mas a família nunca foi informada.

Um facto que foi confirmado por José Gouveia através da certidão de óbito e da secretaria do Cemitério da Ajuda, onde o antigo militar foi também informado que a família não foi contactada, pois não constava no ficheiro qualquer nome a ela ligado. "Tudo foi tratado militarmente e o exército nunca comunicou à família a transladação para Portugal, nem forneceu à secretaria morada ou nome dos familiares", disse.

Ao fim de cinco anos, tal como está definido legalmente, foi feita a exumação do corpo. Contudo, este ainda não reunia as condições para o efeito, tendo o cemitério determinado mais dois anos em terra. Após este período, as ossadas foram levantadas. Sendo considerada uma sepultura abandonada, por não haver contactos de familiares ou outros interessados, foram colocadas em vala comum, no mesmo cemitério. Vala essa que já nem existe, pois por cima dela foi construída uma estrada.

Por explicar estão as razões que levaram o Exército a transladar o corpo para o continente e não para a Madeira, ao contrário do que aconteceu com outros madeirenses mortos na guerra, e também da falta de conhecimento à família e de dados ao cemitério da Ajuda

 Link da notícia:

http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/244631/madeira/244686-soldado-transladado-sem-conhecimento-da-familia

 

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