Companhia de Caçadores 2759

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Factos: 40 anos depois O resgate do soldado Mário

 Origem: Revista MAIS do Diário de Notícias da Madeira - Domingo, 28 de Novembro de 2010

 Texto: Sílvia Ornelas

 Fotos: Teresa Gonçalves/DR

Companhia de Caçadores 2759, constituída na Madeira, quer trazer de volta a casa o antigo companheiro Mário Celestino Andrade, que morreu devido a uma mina não detectada na zona de Furancungo, Moçambique.

Mário Celestino Andrade tinha 20 anos quando partiu para África. Nunca mais voltou.

Dia-a-dia da guerra era relatado num diário.

Passavam sete dias do Natal quando a família de Mário Celestino Andrade recebeu, por telegrama, a notícia da morte do filho e irmão. O soldado, que tinha embarcado para Moçambique em Julho de 1970, depois de um período no continente, e o companheiro Bernardino Freitas Candelária, foram as primeiras vítimas mortais da Companhia de Caçadores 2759, maioritariamente constituída por madeirenses.

Os dois militares foram surpreendidos, na região de Furancungo, por uma mina não detectada, activada à passagem da primeira viatura. No acidente, que ocorreu na segunda oitava de 1970, ficaram feridos mais dois soldados. Nesse dia, a realidade apresentava-se com a maior das crueldades, numa guerra traiçoeira em que o inimigo não assumia rosto.

O corpo do Bernardino Candelária foi enviado para a Madeira, mas o de Mário Andrade permaneceu em Furancungo, localidade do distrito de Tete.

José Gouveia, um dos principais impulsionadores dos encontros da companhia e responsável pela página oficial 'A Voz dos Kurikas', estava convencido de que o corpo havia regressado à Região. A companhia tinha sido deslocalizada para outra povoação e a ideia geral era de que ambos os corpos teriam sido transladados para a metrópole.

Uma das irmãs de Mário, Lurdes Andrade, contactada a propósito da organização do convívio dos 40.º anos de formação e partida da companhia para Moçambique, acabou por revelar que afinal o corpo ficou sepultado em Furancungo. Acabava de ser definida a próxima missão da companhia, trazer os restos mortais do soldado para a Madeira.

Segundo José Gouveia, já foi confirmada a existência da campa do soldado  Mário no referido cemitério de Furancungo.

Além da companhia, também a Liga dos Combatentes, está empenhada nesta missão. José Gouveia disse ainda contar com as entidades  oficiais, ou seja, o Governo Regional da Madeira,  a Câmara do Funchal e a Câmara  e Junta de Machico, sublinhando que nem o Estado nem a Liga pagam qualquer despesa,  pelo que terá de ser a família e os amigos a custearem a transladação.

Mário Celestino era o sétimo de oito irmãos. Tinha 20 anos quando partiu para a guerra e uma vida cheia de sonhos por realizar. Órfão de mãe, desde os sete anos, via nas irmãs mais velhas, sobretudo em Lurdes, o apoio maternal que lhe faltava e que levou a uma maior união entre os irmãos.

De Moçambique apenas chegou uma mala com documentos pessoais do militar, natural da freguesia de Machico.

Irmãs do soldado preservam os pertences do irmão.

"Quando ele partiu a esperança era grande que ele ia regressar e aquela esperança foi-se e não regressou, nem vivo nem morto", afirma Lurdes Andrade.

A possibilidade da transladação do corpo é, por isso, aguardada com expectativa pela família. "Às vezes eu vou a um funeral e toda a gente grita e vê guardar os seus. Só eu nunca guardei o meu irmão", disse.

Rodeadas das memórias do irmão, Lurdes e Laurinda Andrade não conseguem esconder a emoção sempre que falam de Mário. As expectativas que tinham para o irmão eram grandes, pelo que a notícia da morte abalou os pilares da família.

De África apenas veio uma mala pequena com os pertences do soldado, na qual constava um diário, onde Mário exprimia os seus sentimentos em relação à guerra. Palavras que Lurdes guarda num canto especial da casa e do coração. Brevemente, Lurdes e os irmãos poderão dar um desfecho ao luto com a vinda dos restos mortais de Mário, o qual, à semelhança do cabo Gabriel Teles, do Paul do Mar, deverá receber honras militares.

                               

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