Companhia de Caçadores 2759

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Recordando

 

Já passou mais de um mês desde que fui contactado pela Maria de Lurdes Andrade. Quando falamos pela primeira vez, desconhecia quem era, e a razão que a levou a vir ao meu encontro.

Depois de uma breve troca de palavras, disse-me que era irmã do Mário Celestino Viveiros de Andrade, nosso camarada, que faleceu na mina de Furancungo. O facto de termos localizado mais um familiar de um camarada nosso, deixou-me alegre, mas essa alegria desvaneceu-se rapidamente quando ela me transmite a razão do seu telefonema. Foi uma notícia dura de ouvir , que eu pensava ser impossível, da qual nunca tinha tido conhecimento, e jamais aflorada. Mas, a verdade aí estava nua e crua, o corpo do seu irmão e nosso companheiro de armas, nunca tinha regressado de Moçambique.

Depois de vários contactos, chegámos à conclusão que ele foi sepultado num pequeno cemitério de Furancungo . Pensamos desde logo que tínhamos de fazer alguma coisa, pois, os restos mortais deste nosso camarada, teriam de vir para a sua terra natal e para junto dos seus familiares.  Fizeram-se os primeiros contactos, e com o nosso Capitão Armindo Medeiros Batista “à cabeça”, juntamente com o grande impulso dado pelo José Campos e Sousa, vamos tentar concretizar este sonho, que sabemos ser muito difícil mas não impossível. Daí o pedido que deixo a todos, para que colaborem nesta causa que se tornou prioritária para todos nós que fazemos parte desta C.Caç.2759.

Quando estivemos recentemente no Funchal, tivemos o prazer de conhecer a Maria de Lurdes, assim como a sua irmã Conceição. Foi uma conversa longa mas muito cativante. Falaram-nos do seu irmão com grande carinho, deram-nos a conhecer algumas das sua facetas e qualidades, e o quanto era querido no seio da sua família .Hoje, decorridos 40 anos após a sua morte, vimos naqueles rostos um sentimento de dor e de desespero, não só por terem perdido o irmão, mas acima de tudo pela ausência que a falta do seu corpo provoca.

Deram-nos esta foto dele, e revelaram-nos que ele escrevia o seu diário da vida militar em verso, que fez parte do espólio enviado para a família. Como simples homenagem, vamos transcrever parte do seu diário de 3 de Novembro de 1970.

 

Ainda ontem chegamos,

vamos para uma operação

Vai a Companhia toda

Junto com o Capitão

 

Saímos de Berliet

Sempre no meio da picada,

Foi um pelotão a picar

Podia ter alguma mina enterrada

 

Saímos todos dos carros

E começamos a andar,

Até encontrar bom sítio

Para se acampar.

…………………

Parece que foi por Deus

No dia de regressar,

Quando chegamos ao Quartel

É só chuva e trovejar


   Andrade, vamos lutar por ti .

Um forte abraço à família.

 

Zé Gouveia

 

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