Companhia de Caçadores 2759

Res Non Verba

 

RECONHECIMENTO

Caros Camaradas

Gostaria de partilhar com todos vós a maravilha que as novas tecnologias nos proporcionam.

Há alguns dias quando abri a caixa do meu correio electrónico, fui surpreendido com um e-mail que tinha como título “ Reconhecimento “.

Sinceramente nem o título nem o remetente me diziam algo, mas a curiosidade levou-me logo a abri-lo. Para além de ter ficado algo atónito, senti uma felicidade e uma alegria indescritíveis e depois de o ler, pensei para comigo: se o site deu trabalho a construir, se houve vozes ( muito poucas) que criticaram, cada dia que passa nos indica cada vez mais que o objectivo que traçamos e que nos propúnhamos alcançar tem vindo a ser plenamente atingido.

Este e-mail vindo de Moçambique, deixa bem claro que podemos estar em todo o mundo, e ao mesmo tempo fica a mensagem muito clara que o nosso passado em terras de África é de orgulho e de missão cumprida. Talvez muitos dos actuais políticos sintam vergonha por aquilo que fizeram e disseram pós 25 de Abril, depois de verem o carinho e a gratidão com que o povo Moçambicano recorda a tropa Portuguesa.

Por razões de segurança de quem enviou vou tratá-lo por HJ e só vou transcrever o primeiro e-mail e a minha resposta. Toda a restante troca de correspondência, já havida, será divulgada no nosso convívio na Madeira. Como nota final e a título de curiosidade poderei dizer-vos que o Daque, Magué Novo e Mocumbura já dispõem de electricidade, desenvolveram-se, e a estrada alcatroada já chega ao Magué prevendo-se para muito breve até Mocumbura.

Transcrição do e-mail:

“Eu sou moçambicano da província de Tete Distrito do Magué. Fiquei muito impressionado quando li na internet o que você escreveu sobre as operações militares no meu Distrito e pelo trabalho humanitário que a sua companhia fez em defesa e socorro a população inocente nas zonas de guerra. Eu me identifico muito com toda a fase que o meu sr. Relatou quando a companhia esta estacionada em Mucumbura porque naquela altura eu vivia na zona da Massala e muitas vezes vinha no quartel receber sopa como muitas outras crianças daquela zona também o fazia. Tenho um meu vizinho que também ficou impressionado porque ele era um miúdo que passava toda a vida dele no quartel em Daque (mainato) como se fosse filho dos soldado.

Para terminar, gostaria de lhe pedir desculpas pelo meu atrevimento, e se esta mensagem lhe chegar dê-me um sinal

HJ"

Resposta:

Foi com grande emoção que recebi a sua mensagem. Nunca pensei que alguém em Moçambique pudesse estar tão ligado ao nosso passado nessa terra. Nessa altura éramos jovens soldados que estavam numa missão de guerra, mas que tudo fizemos para suavizar o sofrimento das populações indefesas e sem culpa. Acredite que tenho muita honra em ter estado em Moçambique ao serviço da Pátria Portuguesa, mas sinto-me igualmente muito honrado por saber que da vossa parte ficou um sentimento de carinho e reconhecimento pelas tropas Portuguesas e em especial pela nossa Companhia que teve sempre a preocupação de vos tratar e acarinhar como irmãos.

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Estamos a pensar em ir a Moçambique daqui por algum tempo e passar por todos esses lugares que nos trazem boas e más recordações, pois não podemos esquecer os nossos camaradas que ai perderam a vida.

Mocumbura ainda existe? E o Daque não ficou coberto com a barragem de Cabora Bassa? Já é possível andar na picada sem o risco de minas antigas? HJ, conhece Furancungo também no Distrito de Tete?

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Um grande abraço para si, para o seu vizinho e de um modo geral para todo o povo Moçambicano

José Gouveia

 

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 Contacto:  E-mail: jomago47@gmail.com    Telemóvel: 96 61 24 291

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