Companhia de Caçadores 2759

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HOMENAGEM AO SOLDADO POETA

E ENCONTRO DA C.CAÇ.2759 - MADEIRA

Tal como noticiamos no site em 10 de Maio, e a pedido dos nossos camaradas Madeirenses realizamos um convívio no dia 16 de Junho na Madeira, o qual esteve muito mais além do que a confraternização de amigos e velhos camaradas.

No dia 14 à tarde chegou o grupo de continentais que quis participar nesta jornada que tinha em agenda vários pontos para serem cumpridos. Não foi nem era nossa intenção fazer turismo, todos nós já conhecemos a Madeira, mas estava dentro de cada um que esta missão seria diferente!

Mais uma vez a colaboração dos nossos camaradas Madeirenses Fernando Carvalho e João Gonçalves foram dignas de realce, tendo sempre por perto a alegria e boa disposição contagiantes do Vasconcelos que nos transportaram do aeroporto para o Hotel, onde jantamos e depois de uma pequena e amena cavaqueira foi toda a gente descansar, tendo presente que o dia seguinte seria duro.

Assim, na Sexta-feira dia 15 com a colaboração dos nossos camaradas Carvalho, Gonçalves e Freitas partimos bem cedo para iniciarmos as visitas que tínhamos programado aos nossos companheiros que se encontravam hospitalizados, acamados ou com outras limitações, bem como para nos inteiramos das dificuldades em que alguns vivem. Corremos os mais diversos pontos da ilha e locais de muito difícil acesso.

 Foi chocante ver o estado em que se encontra o Américo Sousa Vares internado no hospital psiquiátrico do Funchal, muito debilitado, o João Adriano Ornelas, que pertencia ao 4º pelotão, que apenas reconheceu o nosso capitão e só após algum tempo; o choro convulsivo da sua filha Carina ao ver o pai a ser visitado por tantos amigos que não o esqueceram, a alegria do Júnior, conhecido pelo “Gringo” ao ver na sua modesta casa os amigos que ele nunca esquece e tanto presa, a dificuldade do Cabo Costa em se expressar mas que era superada pela alegria e brilho do seu olhar, as dificuldades de locomoção do cabo Correia, mas que pareceu ganhar forças com a nossa presença, a maneira muito gentil como o Paulino de Jesus nos recebeu em sua casa e a alegria indescritível do Spínola quando pode abraçar todos os camaradas já que a cadeira de rodas a que se encontra “amarrado” limitam totalmente a sua vida.

   

Foi um dia rico de emoções mas que ainda não tinha terminado. Por isso, viemos ao fim da tarde ao Hotel vestir a farda nº1 e partimos para a Casa da Luz no Funchal onde pelas 19h30 teríamos um momento alto desta nossa estadia em terras  Madeirenses: O lançamento do livro   “O SOLDADO POETA” em homenagem ao nosso camarada Eduardo Caldeira de Gouveia, morto em combate a 1 de Junho de 1971,que compilava o seu dia-a-dia da guerra em verso e que agora foi publicado.

 

Esteve presente a Secretária Regional do Turismo ,Transportes e Cultura, Dr.ª Conceição Estudante, que numa breve alocução enalteceu o momento que se estava a viver e deixou palavras de muito elogio para o brio e camaradagem que são apanágio da Companhia de Caçadores 2759, não deixando de realçar o esforço e o sacrifício que estes homens fizeram pela Pátria aquando da sua juventude. Foram palavras sentidas ditas por alguém com grandes responsabilidades governativas na Região Autónoma da Madeira que entraram no nosso intimo como um bálsamo para o esquecimento e mesmo desprezo com que os Antigos Combatentes têm sido olhados por todos os Governos da Republica.

 

Um agradecimento ao Dr. João Luís Gonçalves que compilou o livro e tomou a iniciativa da sua publicação, à Editora O Liberal e à família do Vermelhinho, por tornarem possível não só a homenagem justa a um GRANDE COMBATENTE, mas também pelo contributo que deram para o conhecimento da história da Companhia de Caçadores 2759.

No sábado, dia 16, dirigimo-nos todos (Continentais e Madeirenses) em autocarro para Porto da Cruz, terra natal do Eduardo Gouveia, onde pelas 10h30 foi prestada uma homenagem no cemitério local com descerramento de uma lápide comemorativa do acto. Esta cerimónia foi presidida pelo nosso Capitão Armindo Medeiros Baptista, teve a colaboração do Pároco local Rev. Padre João Mendonça e honras militares prestadas pela Guarnição nº3 sob o comando do Major Lourenço, em representação do Comandante da Unidade. Presentes ainda, o Presidente da Liga dos Combatentes do Núcleo do Funchal, várias autoridades civis e uma multidão anónima que se quis associar a esta homenagem.

Para enaltecer as qualidades do nosso camarada, falou o Presidente do Núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes Tenente-coronel Laureano, e em representação da C.Caç 2757. e do nosso Capitão o camarada Zé Gouveia. Estes momentos vividos no cemitério e depois na celebração eucarística que teve lugar na Igreja Paroquial foram o ponto alto de um encontro que se queria simples mas vivido com grande dignidade e intensidade.

Como é tradicional tivemos o nosso almoço convívio o qual se realizou nas Carreiras no restaurante o “Abrigo do Pastor”. Foi um momento para os 106 convivas poderem matar saudades, falarem de tudo o que lhes ia na alma, principalmente aqueles que vieram pela primeira vez depois de 40 anos da nossa chegada de Moçambique. Pelo seu estado de espírito, e pela maneira como deixavam transparecer a sua alegria, certamente que tão cedo não irão esquecer este dia. Quanto mais não seja, este motivo é mais do que suficiente para nos sentirmos felizes, mesmo tendo em conta todos os problemas que uma organização totalmente feita à distância nos criou.

Um agradecimento final para a já habitual colaboração que temos recebido por parte do Governo Regional da Madeira na pessoa da Senhora Secretária da Cultura Turismo e Transportes , Dr.ª Conceição Estudante, pessoa de um carácter e nobreza impar, ao Rev.Padre João Mendonça pela disponibilidade que mostrou desde a primeira hora em que o contactei, ao Sr. Major Lourenço pelas facilidades concedidas para a prestação das honras militares, ao Sargento Ajudante Correia que comandou a fanfarra da Guarnição nº3, ao Sr. Vereador da Câmara do Machico em representação do Presidente do Município, ao Sr. Presidente da Junta de Porto da Cruz e finalmente com um abraço de enorme amizade a toda a família do nosso camarada Eduardo Caldeira de Gouveia. A todos bem hajam!

No domingo, alguns de nós ainda tiveram tempo para se deslocarem à Igreja da Boa Nova onde foi celebrada uma missa por alma do nosso camarada João Vicente de Sousa que assinalava um ano do seu falecimento, fruto de um acidente ainda hoje sem explicação. No final convivemos um pouco com a viúva e filha deste nosso companheiro procurando com algumas palavras dar-lhes força para ultrapassarem este momento tão duro que estão a viver.

Depois, bem depois, foi um corre-corre para o aeroporto e a chegada ao continente com o coração cheio e a certeza do dever cumprido.

Zé Gouveia

Porto 1 de Agosto de 2012

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