Companhia de Caçadores 2759

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Homenagem a um Amigo

 

Eduardo Caldeira de Gouveia

Quis um feliz acaso que eu encontrasse um familiar de um camarada nosso que há muito procurava! Graças à colaboração da Dª Lurdes Viveiros Andrade, consegui chegar à fala com o João Lucas Caldeira de Gouveia, irmão do nosso camarada EDUARDO CALDEIRA DE GOUVEIA, conhecido entre nós pelo Vermelhinho, e que faleceu numa emboscada no dia 1 de Junho 1971, perto do Bucho Velho .

Não vos sei descrever o que senti, mas dentro de mim geraram-se sentimentos de alegria e tristeza, de raiva e desespero e ao mesmo tempo de amizade e ternura. Sentia a saudade de não poder estar ali a falar com um GRANDE AMIGO que eu tinha, mas ao mesmo tempo a possibilidade de contactar com alguém que lhe era muito querido e muito próximo, um dos seus irmãos, deixou-me imensamente feliz!

A crueldade da vida reserva-nos muitas vezes boas surpresas, e esta de poder falar com o João Lucas Gouveia, e ter contactado com as suas sobrinhas Nélia, que tem sido de uma atenção e carinho inexcedível, e também da Célia, são as faces boas, da tristeza que a guerra nos deixou. Não os conheço pessoalmente, penso que isso irá acontecer quando realizarmos o nosso encontro no Funchal nos dias 1 e 2 de Outubro, onde certamente muito iremos falar deste Camarada , Grande Amigo ,Irmão e Tio.

Não havia ninguém na Companhia que não tivesse pelo Vermelhinho, um grande carinho e uma boa amizade. Era um rapaz muito educado, de trato muito afável, amigo do seu amigo, sempre disponível , com uma fé em Nossa Senhora muito grande ( vi-o muitas vezes à noite, na caserna, com outros camaradas à sua volta a recitar o terço em Honra de Nossa Senhora) era por isso um aglutinador de boas vontades, também tinha o dom para a poesia e era um valente guerreiro. Tombou a meu lado com Honra e Dignidade pelo dever para com a Pátria.

Para mim foi um dia de grande dor, perdi um HOMEM do meu pelotão, mas acima de tudo perdi o AMIGO que eu hoje gostaria de ter junto de mim. Certamente que Nossa Senhora, que ele venerava com grande devoção, o terá em bom lugar, onde estará a pedir pela sua família e pelos seus amigos.

A nós aqui na terra só nos resta manter a sua MEMÓRIA BEM VIVA.

Recordamos aqui algumas das quadras por ele escritas, chamando atenção para a última, em que ele interrogava quem chegaria ao ultimo dia do ano seguinte…..infelizmente ele já lá não chegou.


 

Despedi-me da família

Que eu em casa deixava,

E chorando me diziam

Que eu ia e não voltava.


 

Depois o barco partiu

E para a Madeira acenei,

Adeus Madeira por dois anos

Nunca mais me esquecerei.

……………..

Quando chegamos à Beira

O meu corpo já tremia,

Hoje começa a guerra

Quando será o último dia?

……………

Lá arranjaram as camas

Que mesmo admirava,

Era cimento frio

Que a tropa se abrigava.


 

Assim dormi quatro noites

Depois fui para uma arrecadação,

No outro dia seguinte

Estive de prevenção.


 

A minha sorte foi esta

O que é que vou fazer,

Três semanas numa coluna

Muito tive que sofrer.

…………….

Quando chegamos ao quartel

Muito contente estava,

Fomos todos para a guerra

Mas toda a malta voltava.


 

Eu agora só peço a Deus

Que não morra na guerra,

Quero ir abraçar meus pais

E a minha querida terra.


 

Hoje é o último dia do ano

Com vida e saúde cheguei,

Agora só Deus é que sabe

Quem chega ao último que vem.

 

Furancungo,31 de Dezembro 1970

 

 

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