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10 DE JUNHO UM RELATÓRIO EMOCIONAL

 

Do meu grande amigo Zé Campos e Sousa, recebi por e-mail, uma descrição completa, onde ressalta um fervor Patriótico tão pouco vivido nos dias de hoje, sobre as cerimónias do 10 de Junho, feita pelo Antigos Combatentes, em Belém, que achei por bem fazer a sua divulgação no site da C.Caç 2759.

 

O nosso site está aberto à colaboração de todos, desde que o assunto seja a guerra do Ultramar ou sobre antigos Combatentes, daí a divulgação deste “artigo” do nosso camarada.

 

 A parte literária é o que menos importa, o que se torna importante é dar voz aos valores morais e Patrióticos tão arredados e mesmo perdidos, neste NOSSO PORTUGAL.

 

“POR PORTUGAL E MAIS NADA”,

 

Obrigado Zé Campos e Sousa

Zé Gouveia

 

NOTA: Reparem na foto com os nomes de Combatentes mortos no Ultramar. Está lá um ,que toda a C.Caç 2759 recorda, MÁRIO VIVEIROS DE ANDRADE

 

10 de Junho  Dia de Portugal

 

Que dia inesquecível!

 

Por uma série de coincidências felizes, passei um Grande Dia 10 de Junho de 2010.

 

Pela manhã, muito manhã, já estava a tomar o pequeno-almoço e a preparar-me para a tarefa de Locutor da Cerimónia de Homenagem aos Mortos Pela Pátria na Guerra do Ultramar, junto ao Monumento que os evoca.

 

Às 9:30 entrei em funções de Boina Castanha na cabeça, Gravata da minha querida Companhia de Caçadores 2759 e condecorações no peito, lembrando aqueles anos de 1970-1972, em Moçambique. Foi com muito prazer e com um enorme orgulho que me vi naquelas funções de condutor de uma carruagem tão Nobre.

 

E falou-se de Portugal!

E falou-se dos Combatentes!

E falou-se do papel da Mulher Portuguesa naqueles anos de Guerra!

E falou-se da Lancha Vega e do seu Comandante, o Ten. Oliveira e Carmo!

 

Tinha 14 anos quando a Vega, a sua Tripulação e o seu Comandante deram aquela enorme lição de Heroísmo e Patriotismo aos Portugueses. Foi extremamente gratificante ver a Senhora D. Maria do Carmo Oliveira e Carmo e os seus Filhos e Netos como orgulhosos representantes e Herdeiros de um Herói, um Homem que vestiu o Uniforme Branco para morrer dignamente ao serviço de Portugal, não se assumindo como vítimas de uma guerra onde perderam o Marido, o Pai, o Avô. Que Grandeza!

 

Também foi com emoção que vi e falei com dois dos três sobreviventes da Vega. São acontecimentos inesquecíveis, que será sempre bom lembrar aos mais distraídos.

 

E tudo correu tão bem! – mesmo o que correu menos bem!

Começa-se a ver outro aprumo nas NT.: muitas Boinas, muitos Casacos, muitas gravatas!

 Assume-se alguma pompa, sente-se alguma circunstância, que é dia-de-ver-a-Deus.

 

Já um pouco vergados pelo peso dos anos e de algumas proeminentes barrigas, mas ainda com muito para dar, estávamos todos nós, os antigos combatentes, com aqueles abraços característicos, que, de tão fortes, chegam para acordar consciências.

 

Não foi dia de reivindicações, este dia de Portugal! Não é dia de peditório nem de lamúrias! É dia de dar testemunho é dia de dar exemplo!

 

Estávamos alguns milhares, entre Combatentes, Familiares e Amigos, gente de todas as idades que vai sentindo que esta Cerimónia está na razão directa dos perigos que Portugal enfrenta.

Cresce o perigo, crescem as assistências. Valha-nos isso!

 

A Comunicação Social, autista, não dá, tradicionalmente, relevância a este encontro. E manteve a tradição! Parece que são de um portugalzito, com um pezito muito pequenito.

 

O requinta e a charanga fazem os seus toques de Homenagem aos Mortos! São cerca de 7.000 nomes pregados naqueles muros e ficámos todos, certamente, mais perto deles e mais perto do Céu.

 

Guarda de Honra no Monumento aos Mortos no Ultramar Relação (parte) dos Mortos na Guerra do Ultramar Cantando o Hino Nacional - O Veterano José Campos e Sousa
   
Cerimónia de homenagem aos Mortos pela Pátria na Guerra do Ultramar

Comandante Calvão, General Almeida Bruno, Coronel Orlando do Amaral, General Almendra e Tenente Coronel Martins Teixeira

 

Acabadas as cerimónias do 10 de Junho, em Belém, reuni-me num almoço fantástico, no local do costume, onde constatei que aquela mesa comprida de anos anteriores - que não passava de uma mesa comprida de fim-de-festa com gente que pensa como eu – se transformou num restaurante cheio de boa gente e, sobretudo, cheio de Portugueses!

 

Já aí, no fim do almoço, homenageámos António Manuel Couto Viana. Coube-me a Honra de cantar acapella, o seu Poema Identidade:

 

“O que diz Pátria sem ter vergonha

E faz a guerra pela verdade

Que ama o futuro constrói e sonha

Pão e Poesia para a Cidade

A esse eu quero chamar irmão

Sentir-lhe o ombro junto do meu

Ir a caminho de um Coração

Que foi de todos e se perdeu….”

 

Depois do Almoço, alguns foram para a manifestação nacionalista.

Resolvi ir à Missa de Corpo Presente do António Manuel, com a minha Boina Castanha e as minhas Condecorações - achei que ele ia gostar de me ver assim. Estive lá, sentidamente, em nome de todos os combatentes, mesmo daqueles que não o conheceram.

 

Depois do Rodrigo Emílio, que partiu em 2004, seguiu-se o Fernando Tavares Rodrigues, o José Alberto Boavida (Dinis Diogo), foi agora a vez do António Manuel Couto Viana.

Quatro poetas, que eram também quatro grandes amigos, e que representam para mim, compositor sobre os seus poemas, uma perda dupla.

 

Mas como “quando Deus fecha uma porta abre uma janela”, o compositor não entra em pânico e fica à espera que a janela se abra.

 

E o António Manuel seguiu para Viana do Castelo e eu regressei a casa em estado de Graça, Portuguesmente falando. Cansado, resolvi deitar-me cedo e tomei o meu sonífero habitual – a televisão.

 

Passei pelo canal História. Estava a dar um documentário sobre o Rei D. Manuel II. Nesse documentário as últimas cenas mostram El Rei D. Manuel, a montar e também a brincar com dois cães no pátio do Palácio.

A música de fundo para as últimas imagens é da minha autoria, a voz é a minha, o poema é “El-Rei“, de Branca de Gonta Colaço.


 

Um abraço a todos e desculpem a extensão do relatório de operação


 

José Campos e Sousa


 

Lisboa, 11 de Junho de 2010

 

 

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